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A fonoaudiologia pediátrica é a mais uma ferramenta de melhora da comunicação infantil e do desenvolvimento social de crianças. A especialidade é importante, especialmente se usada de maneira precoce, para aperfeiçoar os atrasos da fala. O principal traço desse tipo de especialização é atuar por meio de brincadeiras, de uma forma lúdica e interativa, também chamada de ludoterapia. Contudo, o maior desafio é chamar a atenção das crianças em meio ao uso excessivo das telas na primeira infância.

Além da questão da fala, a fonoaudiologia em crianças ajuda, também, no tratamento de distúrbios da fala, linguagem, audição, motricidade orofacial (músculos da face, lábio, língua e bochechas), e a aprendizagem entre crianças, principalmente naquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

No entanto, alguns pais não dão muita credibilidade ao tratamento ou acreditam só é necessário quando as crianças já estão maiores ou chegando na pré-adolescência. Acreditar na expressão "cada um tem seu tempo” é uma dos maiores problemas enfrentados.

A fonoaudióloga infantil, Karen Julião Lamartine, de 30 anos, especialista em autismo, explicou que para um melhor desenvolvimento psicossocial das crianças é necessário começar o quanto antes. "Com relação às dificuldades encontradas, a espera prolongada para busca de uma avaliação fonoaudiológica é a que mais prevalece. O acreditar que "cada criança tem o seu tempo”, impede que ocorra um diagnóstico precoce e intervenção adequada, acarretando diretamente no prognóstico do paciente”, detalha a especialista.

A fonoaudiologia é uma área que consegue perpassar por diversas fases da vida, desde a infância até a adulta. Como por exemplo o teste da orelhinha, que ocorre logo após o nascimento, ou atuar na área de reabilitação mediante seqüelas advindas de alguma patologia e transtorno desenvolvido ao longo da vida.

Segundo Karen, toda e qualquer criança pode iniciar um acompanhamento fonoaudiológico, não há uma idade mínima. Em alguns casos faz-se necessário o acompanhamento logo nas primeiras horas de vida ao auxiliar a responsável durante a amamentação, por exemplo.

Em seguida, cabe à família entender a melhor hora para começar um processo que pode ser crucial para estimular a comunicação, garantindo o desenvolvimento saudável da fala, linguagem oral e escrita, audição, mastigação e deglutição. "A idade para iniciar o tratamento fonoaudiológico dependerá da queixa apresentada pela família, sendo necessário o acompanhamento dos marcos do desenvolvimento na própria caderneta da criança”, explica. "Ao notar que algo não está conforme o esperado para a idade, o ideal é buscar uma avaliação fonoaudiológica o quanto antes”, completa.

O principal alicerce do tratamento está na ludoterapia, modalidade na psicoterapia voltada para crianças, utilizando uma linguagem mais infantil ou relacionada à crianças. Dessa forma, é muito comum o especialista utilizar brincadeiras como principal ferramenta de comunicação no tratamento. Assim, fortalecendo a expressão de emoções, angústias, conflitos internos e até mesmo revoltas. Isto é, uma forma de terapia mais leve.

"Atualmente, atendo crianças com neurodesenvolvimento típico e atípico. Os atendimentos são baseados na ludoterapia, por meio do brincar. Sendo possível estimular o que encontra-se aquém no desenvolvimento da criança de maneira prazerosa e divertida”, esclareceu.

O tratamento da ludoterapia foi o aplicado no caso de Heitor Lincoln, que começou o tratamento de fonoaudiologia com um ano e oito meses de vida, depois da família perceber dificuldades na fala e comunicação da criança, o qual poderia atrasar sua linguagem oral, de acordo com a sua mãe Josélia de Araújo. "Com o tratamento, ele desenvolveu a fala e hoje não apresenta mais nenhuma dificuldade em se comunicar, tornando fácil o entendimento e as relações sociais com os amiguinhos”, relata.

Segundo a mãe, a relação com a fonoaudióloga contribuiu para a evolução. "Ele amou estar com Dra. Karen. Ela tem muita facilidade em criar vínculo com a criança e fazer a criança desenvolver”, disse.
 
Apoio familiar
O maior desafio para a profissional está no fato da criança seguir os exercícios da fala depois da sessão. Dessa maneira, a rede de apoio familiar e os treinamentos em casa é a espinha dorsal para a efetividade e sucesso da melhora da comunicação infantil. "Eu acredito que o maior desafio não seja a idade da criança, mas realizar em casa os ensinamentos passados na sessão. Afinal a criança passa mais tempo em casa com a família do que em consultório com a terapeuta, logo para se ter uma boa e rápida evolução é necessário que a família seja bem participativa neste aspecto”, especificou.

Josélia investigou e percebeu que isso poderia atrapalhar a interação social do seu filho na escola e nos espaços destinados às crianças, o qual pode provocar o isolamento social e a dificuldade dos pequenos em demonstrar suas emoções através da linguagem. Agora, segundo Josélia, a criança não para de conversar. Ele está atualmente com 4 anos e 11 meses. "Foi importante porque ele aprendeu a falar melhor. Antes do tratamento, ele se estressava muito fácil e começava a chorar pois ninguém entendia ele, depois facilitou pois ele começou a aprender a falar e se comunicar conosco”, comemorou Josélia. Para Karen, ver as crianças evoluindo nas suas mãos é algo muito especial.

Cada pequena conquista, desde um pequeno discurso bem falado até uma melhora na expressão emocional, carrega uma história, um esforço da criança, da família e de todo o processo construído juntos. "O que mais me emociona é perceber quando elas começam a se comunicar com mais segurança, se expressar melhor e ganhar autonomia. É muito gratificante saber que, de alguma forma, eu faço parte desse desenvolvimento e posso contribuir para que elas se sintam mais confiantes e felizes”, celebra a fono.
 
Tratamento precoce traz melhores resultados
A fonoaudiologia é uma ciência da saúde dedicada à pesquisa, prevenção, avaliação e tratamento dos distúrbios da comunicação humana (fala, linguagem oral e escrita, voz e audição) e funções orofaciais, como respiração, mastigação e deglutição.

Com um aumento no números de casos de transtornos do espectro autista, o desafio ficou maior para os especialistas, uma vez que todo processo precisa ser adaptado para crianças com essa condição. Se não tratado de maneira precoce, pode afetar a comunicação, a interação social e o comportamento.

Então, caso a criança receba o diagnóstico, a fonoaudiologia infantil, com especialidade em autismo, é o caminho para a melhor inclusão social, saúde e aprendizagem. "É difícil listar apenas um transtorno como o mais evidente, mas temos hoje em dia uma alta incidência de casos de Autismo. Transtorno este que gera prejuízos em diversas áreas, seja sensorial, de linguagem e social”, ressalta Karen Lamartine. "Para o Autismo não há cura, mas tem intervenção. E o quanto antes for realizado o diagnóstico e iniciada a intervenção terapêutica, maiores e melhores serão os resultados obtidos”, conclui.

Fonte:https://tribunadonorte.com.br/tn-familia/fonoaudiologia-infantil-ajuda-a-desenvolver-a-fala-e-a-interacao-social/
Tags:desenvolvimento, crianças, questão, fala, fonoaudiologia, comunicação e reabilitação1096 palavras11 min. para ler